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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Um cappuccino vermelho - Joel G. Gomes

SINOPSE: As pessoas que conhecem Ricardo Neves dividem-se em dois grupos: os que o conhecem como autor de policiais e os que o conhecem como assassino profissional.

Ricardo sempre cuidou para que estas duas facetas da sua vida não misturassem. Tudo se complica quando recebe uma lista de alvos demasiado próximos do seu mundo de escritor. A colisão torna-se inevitável e Ricardo não tem como a impedir.



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João Martins é um escritor com prazos para cumprir e sem ideias para desenvolver. Até que tem a ideia de escrever sobre um escritor que é também assassino profissional.
A surpresa acontece quando pessoas à sua volta começam a morrer tal e qual ele descreve no seu livro. A dúvida surge de imediato: estarão as mortes a acontecer porque ele as escreve ou será ele um mero narrador de eventos predestinados a acontecer?


OPINIÃO: Ver uma personagem a ganhar vida é algo que passa na cabeça de qualquer escritor. Agora, imaginem se essa personagem é um vilão e segue à risca, na vida real, todos as descrições macabras da história.
De um lado temos Ricardo, um assassino contratado, totalmente lunático, que tem, a meu ver, o complexo de Deus. Apesar de só matar aqueles que lhe são indicados na lista, Ricardo é nitidamente um homem arrogante, demasiado cheio de si mesmo, que merecia um valente corte nas pernas para lhe baixar o ego.

Por outro lado, encontramos João, o escritor. Uma personagem tímida e centrada na sua arte, João constrói o seu mundo fictício abraçando o pouco que conquistou no real, daí a possibilidade de ver o seu enredo ganhar vida.

A ideia é muito boa e a escrita de Joel é simples e fluída, de modo que não cansa e consegue proporcionar uma leitura ávida. Complementada pelo interesse que a história em si proporciona, "Um cappuccino vermelho" consegue cumprir o seu objetivo, entretendo, criando mistério e dando que pensar.
Contudo, achei o final confuso e senti que ficaram algumas peças soltas. Talvez isto se deva mais ao facto de se ter desenrolado demasiado rápido do que à explicação em si. Merecia um pouco mais de atenção e cuidado nas respostas necessárias ao desfecho do livro.
Outro pormenor que tem de ser mencionado é o facto de se darem demasiadas repetições da narrativa ao longo do livro, principalmente na segunda parte. Ora, se primeiro vemos Ricardo a agir e depois vemos João a escrever a ação, ou vice-versa, é perfeitamente escusado que se dê a repetição do texto integral. Bastava uma breve parte para se perceber que é João quem domina (ou não?) a marioneta.

Enfatizo que não estou na minha praia, não é nem de longe o meu género favorito, porém, já li alguns policiais dos ditos escritores famosos e garanto que o Joel não lhes fica a dever muito. Centrando-se mais na emotividade dos personagens e menos na objetividade do conteúdo, na linguagem técnica, este livro satisfez-me. 

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